Two people participating in a group activity

Sonho radical: #Shiftingthepower através da imaginação


Por Fundo Global para Crianças

Esta postagem foi escrita por Rodrigo Barraza, gerente de programas para as Américas da GFC, e Corey Oser, vice-presidente de programas da GFC.

Como nossos sonhos de infância moldam o que nos tornamos? O que podemos aprender com eles? E como continuar sonhando pode transformar o mundo ao nosso redor? Rodrigo Barraza, Gerente de Programas para as Américas, e Corey Oser, Vice-Presidente de Programas, compartilham seus sonhos de infância e discutem o papel da imaginação desenfreada na concretização dos sonhos.

Qual era seu maior sonho quando você era criança, Rodri?

Quando eu era criança, meu maior sonho era ser astronauta. Lembro-me de passar muitas horas no meu quarto olhando para um pôster da Lua que eu tinha na parede, imaginando que um dia poderia saltar entre suas crateras. Eu estava sempre sonhando acordada.

Quando fui dormir, porém, o sonho continuou. De repente, me tornei um grande explorador, com meu traje branco e meu capacete brilhante. Um conquistador das estrelas.

E você, Corey? Qual era o seu sonho quando criança?

Quando eu estava no ensino fundamental, nossa turma escrevia "livros sobre o futuro" sobre sonhos para nós mesmos e para o mundo. Eu era fascinada pelos mistérios do corpo e queria ser médica de mulheres. Na minha mente infantil, eu também queria dividir meu tempo com o teatro e ser atriz. Eu me via andando pelo palco e recitando as palavras de novos personagens, vestida com roupas de diferentes épocas e lugares.

Aprendi sobre a corrida armamentista nuclear e também escrevi sobre um mundo onde os seres humanos se entendessem em vez de inventar armas tão cruéis.

O que aconteceu com seus sonhos, Rodri?

Meu sonho de ser astronauta nunca se realizou, é claro. Ou talvez tenha se realizado...

É verdade que nunca visitei o espaço sideral, e a lua continua sendo um mistério para mim.

No entanto, eu me tornei um explorador.

Ao longo da minha vida, tive a incrível sorte de viajar pelo mundo e colecionar memórias, países, idiomas, sabores e, acima de tudo, histórias de coragem e esperança.

[image_caption caption=”Os parceiros do GFC traçam visões coletivas para suas organizações. © Fundo Global para Crianças” float=””]

People participating in a group activity

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Por colaborando com organizações comunitárias corajosas e com crianças e jovens líderes, percebi que meu sonho não era uma ilusão. Eu só precisava olhar para as estrelas em outro lugar e perceber que elas estavam mais perto do que eu imaginava.

Aprendi que aqui na Terra ainda temos muitas coisas que podem nos ajudar a cultivar nosso senso de admiração. Não precisamos embarcar em um foguete para isso.

Tenho que confessar que nunca abandonei meu sonho de ir à Lua. Mas não importa se eu não conseguir chegar lá. O que esse sonho me deu foi esperança. Ensinou-me a nunca perder a curiosidade e a imaginação. Ensinou-me a continuar buscando o extraordinário, mesmo nas menores coisas. Permitiu-me manter – e brincar com! – minha criança interior.

O que você aprendeu com seus sonhos, Corey?

Embora eu não tenha me tornado médica, a atração que sentia pelo cuidado e bem-estar ajudou a traçar meu caminho no mundo. Meu sonho de me tornar uma curandeira para mulheres também plantou uma semente em meu espírito. Por muitos anos, trabalhei com pessoas que impulsionavam a força e a coragem das mulheres para mudarem de vida. Este fio condutor conecta o passado com o presente, pois agora apoio muitas organizações que trabalham com meninas para reivindicar seu poder.

Embora eu também não tenha me tornado ator profissional, tive a oportunidade de atuar em peças teatrais e até escrevi uma curta. Adorava vivenciar as experiências das pessoas por meio de suas palavras e sentir a eletrizante troca de energia que a criação em grupo proporciona. Mais tarde, quando comecei a liderar grupos fora dos palcos e em organizações, procurei cultivar a sensação de que todos se movimentavam e criavam juntos.

Embora eu não tenha livrado o mundo das armas nucleares, meu sonho de que as pessoas se entendam melhor se concretizou de muitas maneiras.

Para mim, sonhar é a melhor maneira de imaginar um novo mundo. Sonhar dá a todos o poder de criar visões do que ainda não vimos.

O que significa sonhar, Rodri?

Os sonhos têm poder. Eles enchem o seu mundo de possibilidades. Eles permitem que você vislumbre novos mundos, novos caminhos e novas perguntas. Eles permitem que você conheça seus desejos e vontades mais profundos.

Os sonhos conectam você com a vida: com o passado, com o presente e com o futuro. Com o que você é e com o que deseja ser.

À medida que crescemos, parece que sonhar perde o seu poder. Confinamos os sonhos a um espaço privado, sentimos vergonha e os escondemos da luz.

As pessoas e as organizações que elas compõem adotam duas atitudes principais em relação aos sonhos:

  • Consideramos isso um ato de ingenuidade ou irresponsabilidade. "Sonhar é para tolos", dizemos a nós mesmos. "Neste mundo, você precisa ser realista se quiser alcançar seus objetivos." O mundo está dividido entre "sonhadores e realizadores", sendo os sonhadores vistos como menos valiosos.
  • Pensamos que sonhos não são diferentes de planejamento. "Sonhar é uma coisa boa", pensamos, "basta transformar o sonho em uma série de passos e tarefas concretas para torná-lo realidade". E assim, aos poucos, o sonho deixa de ser um sonho e se torna um plano comum. Uma receita para seguir passo a passo, sem espaço para surpresas.

É urgente recuperar e defender o nosso direito de sonhar, de imaginar, de pensar em novos mundos e de trabalhar com paixão e responsabilidade para torná-los possíveis.

[image_caption caption=”Líderes da Onda Solidária, parceira da GFC no Brasil, colocam o sonho de sua organização em palavras. © Fundo Global para Crianças” float=””]

Two people writing on a piece of paper

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Por que você acha que os sonhos são importantes para o nosso trabalho, Corey?

No Fundo Global para Crianças, criamos recentemente um espaço para compartilhar nossos sonhos. Sonhos que tínhamos quando crianças e sonhos que tínhamos – e temos – como adultos. Descobrimos que eles estavam conectados.

O que é ainda mais surpreendente é que descobrimos que cada um de nós, por meio do nosso trabalho e da nossa vida diária, continua a nutrir e cultivar esses sonhos, conectando-os ao nosso sonho compartilhado de um mundo melhor para todas as crianças e jovens.

Então nos perguntamos: É possível sonhar coletivamente? É possível transformar a capacidade de sonhar em força organizacional?

Com alegria, percebemos que é possível. E é essa energia coletiva que nos conecta a milhares de organizações em todo o mundo, que nos permite construir confiança e crescer juntos.

Então… como as organizações podem despertar sonhos?

Não temos todas as respostas, mas podemos compartilhar algumas dicas que ajudaram a fazer da GFC uma família sonhando junta, com responsabilidade e paixão:

  • Crie espaços seguros para sonhar livre e coletivamente: não são sessões rígidas de planejamento operacional, mas espaços para imaginar o futuro e nutrir visões de um mundo mais bonito.
  • Concentre-se nos porquês em vez dos comos: É muito fácil descartar os sonhos e as novas ideias que eles evocam como impraticáveis, irrealistas ou muito caros. Não sonhe em linha reta: ouse imaginar múltiplos caminhos ou possibilidades. Permita que os sonhos se transformem em novas perguntas.
  • Estimule a criatividade: Muitas vezes, descartamos rabiscos ou poesias como brincadeiras de criança, mas ferramentas de criatividade podem nos inspirar a imaginar novos caminhos e possibilidades para mudar o mundo. Incentivar a criatividade À medida que você conduz o dia a dia da sua organização, encare-o como essencial à sua força vital e não como um "extra".
  • Quebre velhos hábitos: até mesmo momentos de diversão e conexão podem se tornar rotina e inibir a imaginação. Experimente maneiras novas e surpreendentes de fazer até mesmo coisas comuns.
  • Incentive aqueles que sua organização atende a visualizar seus sonhos: isso transfere o poder para eles imaginarem o que querem ver para suas comunidades, não o que esperam de você.

Nas comunidades indígenas da Amazônia, acredita-se que, quando uma pessoa para de sonhar, é porque a morte está próxima. Se você não consegue sonhar, você tem uma doença. Sua alma está vazia.

Então, vamos nos lembrar da imaginação ilimitada que tínhamos quando crianças, e vamos recuperar e exercitar nossa capacidade de sonhar. Sozinhos e com outros. Vamos sonhar para nos curarmos juntos. Para cuidarmos uns dos outros.

E não esqueçamos que sonhar é um direito humano. Nosso direito de transformar, de mudar, de buscar. De ser melhor.

Junte-se a nós e sonhe conosco.

Foto do cabeçalho: Parceiros do Fundo Global para a Infância usam drama para retratar novos relacionamentos entre organizações, comunidades e doadores. © Fundo Global para a Infância

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