Educação, Segurança e bem-estar
Justiça de gênero, Segurança e bem-estar, Poder da juventude
Coletivo Vida Digna: Vida Digna é uma organização maia localizada no planalto ocidental de Quetzaltenango, Guatemala, dedicada à afirmação de identidades indígenas em contextos de alta migração. A Vida Digna apoia jovens, mulheres e famílias do campo a desenvolverem seu potencial e a apoiarem o crescimento de suas comunidades.
Reconhecemos que, tradicionalmente, as mulheres indígenas sofrem múltiplas vulnerabilidades: por serem indígenas, por serem pobres, por serem mulheres, por serem jovens. E isso as obriga a migrar. A Vida Digna quer mudar isso. E por isso, criamos a Projeto Ix Kame.
Projetado para meninas e jovens migrantes, o Projeto Ix Kame da Vida Digna enfatiza a força das mulheres maias. O programa fortalece as capacidades das participantes e cria um círculo de apoio que reconhece sua cultura e a importância da comunicação para o desenvolvimento familiar.
[image_caption caption=”Jovens participantes do projeto Ix Kame da Vida Digna. © Colectivo Vida Digna” float=””]

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Coletivo Vida Digna: Aprendemos, em primeiro lugar, que a migração é um universo muito complexo. Existem múltiplas perspectivas e abordagens sobre a migração, o que muitas vezes dificulta o nosso trabalho. Mas também aprendemos que esses esforços podem ser conciliados. Foi muito inspirador conhecer as ideias e os pontos fortes de organizações no México, Guatemala e Estados Unidos que – embora muito diferentes entre si – estão fazendo um excelente trabalho para dignificar a vida de pessoas migrantes em toda a região.
Aprendemos que não estamos sozinhos. E que, apesar da violência, do desespero, da frustração, estamos mudando o mundo passo a passo.
Coletivo Vida Digna: Nossa organização cresceu muito por meio de alianças estratégicas com outras organizações fora da Guatemala. Agora, por exemplo, estamos trabalhando mais de perto com a Al Otro Lado, uma organização sediada em Tijuana, México, e com eles estamos tentando criar uma rede para o atendimento integral de retornados e deportados. Na Al Otro Lado, eles apoiam com assistência jurídica e garantem um retorno seguro, enquanto nós, por outro lado, cuidamos dos desafios relacionados à reintegração dos retornados. Agora temos uma visão mais ampla.
Também crescemos fortalecendo nossa perspectiva de gênero. Percebemos que não basta ter projetos específicos para mulheres, mas é preciso envolver famílias e comunidades inteiras para gerar relacionamentos justos e não violentos entre homens e mulheres.
Coletivo Vida Digna: Primeiro, queremos que as organizações conheçam e apreciem Xela (como Quetzaltenango é comumente conhecido).
Em nosso primeira convocação em Tapachula, olhamos umas para as outras como organizações e descobrimos que, apesar das nossas diferenças geográficas e culturais, compartilhamos sonhos, frustrações e estratégias. Agora sabemos que temos muito a aprender umas com as outras. Para este novo encontro, queremos olhar para as adolescentes migrantes e aprender a caminhar e trabalhar com elas. Elas não são apenas vítimas, mas protagonistas com a capacidade de contar a sua própria história. Elas têm muito a contribuir para a vida e o trabalho das nossas organizações.
Além disso, queremos ajudar a construir uma plataforma aberta para que as organizações possam compartilhar seus progressos, desafios e experiências trabalhando com meninas migrantes. E, a partir daí, todas as organizações participantes precisam assumir a responsabilidade de disseminar a mensagem, replicar e fortalecer nossos esforços.
Como resultado concreto, gostaria que cada organização se comprometesse a pensar em uma atividade ou iniciativa em conjunto com outra organização. Não queremos que a energia gerada no evento acabe quando todos voltarem para casa. Pelo contrário, queremos que esta seja a chama que acenda novas ideias e sonhos coletivos.
Coletivo Vida Digna: Estamos muito felizes que nossos parceiros possam estar em Xela, porque existe um grande equívoco que nós, como organizações, às vezes somos responsáveis por generalizar: que a migração só ocorre nas fronteiras. E que migrantes são apenas aqueles que caminham no deserto ou navegam no mar. Aqueles que não têm mais um território. E isso não é verdade.
A migração também tem a ver com territórios, com identidades, com pertencimentos. Não deixamos de pertencer pelo simples fato de deixarmos nossa comunidade.
Xela não fica perto da fronteira. Mesmo assim, é um dos departamentos com maior índice de migração na Guatemala. Milhares de pessoas partem e retornam sem identidade, sem memória. Principalmente jovens.
É por isso que Xela é um bom lugar para entender que a migração começa e termina nos territórios. E não devemos olhar apenas para as pessoas vulneráveis a quem devemos atender, mas também para os lugares a serem melhorados, criando novas oportunidades e fortalecendo a memória histórica do nosso povo.
Coletivo Vida Digna: Bem-vindos à Xela! Vocês agora são nossos irmãos e irmãs e é um prazer colaborar com todos vocês. Por favor, não se esqueçam de que sonhar juntos é uma responsabilidade.
Estamos felizes em ter você aqui para continuar construindo um caminho cheio de esperança e oportunidades.