Espaços para respirar: promovendo o bem-estar organizacional


Por Rodrigo Barraza García

Nota do editor: esta postagem do blog também está disponível em espanhol.

O bem-estar organizacional é cada vez mais reconhecido como fundamental no setor filantrópico. Neste post do blog, Rodrigo Barraza, da GFC, compartilha três práticas simples, mas eficazes, para promover o bem-estar organizacional.

O bem-estar organizacional pode ser entendido de diversas maneiras. Para alguns, significa a abertura de espaços de prazer que permitem uma desconexão do estresse cotidiano. Para outros, envolve a criação de grupos de apoio emocional que constroem resiliência e apoio mútuo.

Apesar das diferentes visões e abordagens em relação ao bem-estar organizacional, uma coisa é inegável: neste momento de crise, insegurança no emprego e criminalização de defensores dos direitos humanos em nível global, a promoção ativa do bem-estar deve ser uma tarefa contínua, sustentável e coletiva.

Essa mudança já está em andamento no setor filantrópico. Cada vez mais doadores estão assumindo compromissos explícitos com o bem-estar organizacional. Na busca por transferir o poder dos financiadores para os beneficiários, diversas estratégias e iniciativas que colocam o cuidado no centro da mudança social estão sendo implementadas.

A group of women sitting and holding hands
Um workshop de mapeamento de impacto organizacional com o parceiro do GFC Colectiva MAPAS em Michoacan, México. © GFC

Embora reconheçamos progressos importantes, uma questão vital permanece: como traduzimos esses esforços, essas boas intenções, em práticas concretas e colaborativas com impacto significativo?

As respostas a esta pergunta dependerão sempre de contextos e estruturas culturais específicos. No entanto, na GFC, começámos a identificar boas práticas que, embora possam parecer bastante simples, nos permitiram continuar a refletir e a cocriar estratégias para promover o bem-estar em conjunto com as nossas organizações parceiras.

1.Dsão para correr riscos

Promover o bem-estar organizacional envolve riscos que, como doadores, precisamos estar dispostos a correr. Nesse compromisso compartilhado com a transformação social, cometer erros é essencial para o crescimento e o aprendizado.

Adotar a flexibilidade como valor e guia em nosso trabalho nos permitiu apoiar nossos parceiros organicamente, sem causar sobrecarga ou fadiga. Essa flexibilidade inclui fundos flexíveis, processos flexíveis e relatórios flexíveis que nos permitem centralizar a humanidade em nossos relacionamentos, partir da confiança e do aprendizado mútuo e fortalecer a resiliência e a adaptabilidade.

O primeiro passo para o bem-estar é o respeito. Não buscamos impor agendas ou propor intervenções artificiais que reforcem relações desiguais de poder. Queremos aprender e caminhar juntos com nossos parceiros. Queremos apoiar pessoas e processos para a mudança social, não projetos limitados com metas criadas a partir de uma mesa.

Um workshop sobre identidade organizacional realizado com o parceiro da GFC, Espacio Migrante, em Tijuana, México. © GFC
2. Crie espaços para respirar

Na GFC, nosso modelo de suporte flexível é sempre combinado com assistência ao desenvolvimento de capacidades. No entanto, nosso papel vai além da simples consultoria técnica.

Sempre respondendo às necessidades e propostas específicas dos nossos parceiros, oferecemos consultoria para fortalecer seus mecanismos de monitoramento e avaliação; identificar novas estratégias, programas e intervenções; e expandir suas redes de colaboração. Ao mesmo tempo, desenvolvemos metodologias e ferramentas de autoavaliação participativa que as organizações podem utilizar para criar e implementar planos de desenvolvimento organizacional e bem-estar a curto e médio prazo.

Nossas abordagens de desenvolvimento de capacidades não partem de limitações ou deficiências, mas sim de possibilidades e pontos fortes. Nossa metodologia não visa realizar cada vez mais atividades, mas sim compreender melhor o valor do trabalho de nossos parceiros. Não visa atingir metas e requisitos, mas sim construir uma comunidade.

É exatamente isso que nossos parceiros chamam de "espaços para respirar". Espaços para planejar não com urgência, mas com amor e carinho. Para pensar em como ser melhor. Para passar da resistência à ação.

Nas palavras de Ximena Ortiz, codiretora do parceiro GFC Otros Dreams en Acción (ODA):

O compromisso da GFC em criar relacionamentos afetuosos nos fez sentir acompanhados e ouvidos. Isso deu um novo significado e reforçou a importância de construir confiança nos relacionamentos com nossos doadores. Para a ODA, esses espaços representaram momentos de pausa, momentos de reflexão, e nos permitiram olhar para nós mesmos, cuidar de nós mesmos e seguir em frente.

Depois de sete anos de trabalho na GFC, continuo comovido ao ouvir constantemente que é justamente isso que nossos parceiros mais valorizam em nós: nosso compromisso com o bem-estar, entendido como um conjunto de práticas cotidianas, valores organizacionais, metodologias e modelos de apoio orientados à reumanização das relações, à reconstrução do tecido comunitário e ao caminho da transformação social.

Jovens participam de uma atividade durante um encontro sobre masculinidades e juventude em Chiapas, México, em 2020. © GFC
3. Divirta-se!

Brincar e se divertir são essenciais para o bem-estar. Eles nos permitem conectar com outras pessoas, experimentar outras realidades e encontrar a magia da vida cotidiana.

Desfrutar e brincar não significa ignorar a dor e a injustiça. Pelo contrário, ao defender o nosso direito de brincar, mesmo em meio a circunstâncias difíceis, podemos lembrar todos os dias que o bem-estar não é pedido, nem concedido: ele é construído coletivamente.

Brincadeira e diversão estão presentes em todos os espaços de interação e planejamento que a GFC oferece aos seus parceiros. Não apenas como energizantes ou quebra-gelos, mas como um componente transversal que incentiva o diálogo e a ação coletiva. Brincando, podemos imaginar e criar novas realidades e democratizar o bem-estar.

Promover o bem-estar individual e organizacional dos nossos parceiros nos obriga a adotar posições radicais, a tentar e falhar, a confrontar modelos tradicionais e a tomar decisões difíceis. Isso sempre nos traz novos desafios e novas perguntas.

Não é um caminho fácil, mas na GFC estamos felizes em continuar tentando.

Foto do cabeçalho: Uma das atividades em um workshop de Mapeamento do Impacto Organizacional com o parceiro do GFC Colectiva MAPAS em Michoacan, México. © GFC

Fechar

Fechar

Fique conectado com nosso trabalho

"*" indica campos obrigatórios

Este campo é para fins de validação e não deve ser alterado.
Optar por participar*
Apoio financeiro

Este site é protegido pelo reCAPTCHA e pelo Google política de Privacidade e Termos de serviço aplicar.