
Justiça de gênero
Justiça de gênero, Poder da juventude
Este blog é coautorado por dois parceiros do GFC, o Centro de Direitos Humanos Fray Matías de Córdova e as Iniciativas para o Desenvolvimento Humano. Ambas as organizações lutam pelos direitos dos migrantes em Chiapas, México, e participam do Gênero, Crianças e Jovens em Movimento conferência em Tijuana. Sua reflexão é traduzida do espanhol.
A importância de acompanhar os sentimentos das crianças migrantes em todas as suas nuances é uma questão que exige dignidade, cuidado, amor, segurança e luta.
[image_caption caption=”Uma foto do muro na fronteira entre os EUA e o México. © Jeff Valenzuela” float=””]
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À primeira vista, a dor é uma sensação desconfortável. No entanto, quando crianças sentem dor, buscamos transformá-la em uma "raiva digna" (ou "rabia digna", em espanhol) que galvaniza nossa busca por justiça social. Essa transformação nos coloca em uma posição de privilégio e responsabilidade para caminhar com crianças migrantes a partir de um lugar de dignidade compartilhada, evitando ao mesmo tempo a armadilha de sermos motivados pela piedade.
Diariamente, nas diferentes formas de apoio que oferecemos para acompanhar crianças migrantes, encontramos dor. Encontramos dor em suas histórias e nos momentos difíceis que compartilham conosco, e isso nos leva a organizar nossos esforços sob um imperativo ético que se baseia na escuta ativa, na compreensão e na empatia com as crianças em movimento – imaginando-nos ao lado delas em suas jornadas e criando mudanças que inspirem esperança.
[image_caption caption=”Um grupo de painelistas falando no abrigo do Espacio Migrante em Tijuana, México. © Jeff Valenzuela” float=””]
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A transformação da raiva digna em um veículo de justiça social não implica que a dor desapareça. Pelo contrário, ela emerge e ressurge quando necessário; nos dá força para continuar e nos incita à ação. No entanto, o excesso de dor (ou a exposição prolongada sem descanso) pode ter inúmeras consequências negativas: pode levar à perda de sentido, ao desespero, à incapacidade de processar emoções ou à sensação de que o retorno à normalidade é impossível.
Unir-nos para acompanhar crianças migrantes, sermos acompanhados e acompanhar a nós mesmos nos permite cuidar e fortalecer uns aos outros. Esta reflexão não foi por acaso, visto que muitos de nós chegamos a este ponto por conta própria após o encontro. Identificamo-nos, reconhecemos e viajamos com essas histórias de dor, que frequentemente ouvimos e imaginamos, mas também conseguimos acompanhar crianças migrantes nesta transformação da raiva digna numa busca por justiça social. É exatamente neste momento de transformação que encontramos a vontade de seguir em frente, trabalhando juntos em solidariedade e encontrando esperança através de histórias de resiliência.
Junte-se a nós com amor, carinho, felicidade e cuidado que transformam a dor em “rabia digna” e fogo para continuar lutando!