Conheça Ramanou, especialista em desenvolvimento de capacidades da GFC para a Costa do Marfim e Guiné
Conheça Ramanou Moboladji Babaedjou, um membro da equipe de programas da GFC! Ele apoia e desenvolve a capacidade dos parceiros da GFC na Costa do Marfim e Guiné.

VOCÊ PODE NOS CONTAR DE ONDE VOCÊ É E SOBRE SUA HISTÓRIA?
Nasci no oeste montanhoso da Costa do Marfim, precisamente na cidade de Danané. Nasci em uma família polígama, de um pai de nacionalidade beninense que veio se estabelecer nos anos 60 e uma mãe marfinense de etnia Dan, a etnia majoritária da região de Tonkpi na Costa do Marfim. Sou o quarto filho de 23 filhos. Passei toda a minha infância em Danané com meus pais. Fiz meus estudos lá até obter meu bacharelado em literatura em 1996.
Depois estudei na Faculdade de Direito da Universidade de Bouake. Devido aos movimentos de greve e à violência nas faculdades no tumulto da democracia nascente em meu país, em 1999 entrei para uma organização não governamental nacional como agente de campo. Trabalhei na identificação, documentação e rastreamento familiar de crianças liberianas separadas e desacompanhadas devido à guerra civil em seu país de origem. Desde então, tenho trabalhado para promover os direitos das crianças em geral.
Trabalhei com Afrique Secours et Assistance, La Maison de l'Enfance, Save the Children e International Rescue Committee em várias funções, incluindo implementação de programas, gerenciamento de projetos, proteção infantil e empoderamento feminino.
QUAL É A SUA MEMÓRIA FAVORITA DA INFÂNCIA?
Vários eventos importantes me marcaram na infância. O que mais se destaca e que continua voltando para mim quando preciso voltar no tempo é o auto-sacrifício da minha mãe para garantir que eu tivesse sucesso.
Na minha infância, tudo estava contra a minha conclusão do primeiro ciclo escolar. A instabilidade da minha família, a precariedade financeira da minha mãe, que já tinha vários filhos para cuidar, e eu, uma criança doente e turbulenta ao mesmo tempo.
Tenho essa lembrança de onde eu morava numa casa isolada com minha mãe e minhas irmãs, onde os estudos eram a base da nossa unidade familiar para sair da precariedade, ao contrário dos outros filhos do meu pai, que viviam numa certa opulência.
O QUE TE ATRAIU PARA ESSA LINHA DE TRABALHO E PARA A GFC?
Até o momento, passei toda a minha carreira profissional em organizações comunitárias, locais e internacionais de proteção à criança. Desempenhei todas essas funções em quase todas as regiões da Costa do Marfim. A GFC foi uma oportunidade que agarrei por vários motivos. A GFC me permitiu continuar na promoção e defesa dos direitos das crianças. Também me permitiu apoiar o desenvolvimento organizacional de grupos locais com uma flexibilidade de financiamento diferente de outros doadores. A GFC não visa financiamento de curto prazo, mas concentra seu apoio no longo prazo e permite uma transferência real de habilidades e metodologia de trabalho em uma parceria que respeita os valores de seus parceiros.
QUAL VOCÊ ACHA QUE SERÁ A PARTE MAIS DESAFIADORA DO SEU TRABALHO? QUAL SERÁ A MAIS SATISFATÓRIA?
Meu maior desafio será permitir que organizações locais na minha área de cobertura implementem sistemas e ferramentas para causar mais impacto em suas comunidades e permitir o acesso das meninas à educação e a retenção delas na escola.
O mais gratificante para mim é criar essa conexão, essa rede de organizações parceiras na África Ocidental para abordar todas as questões relacionadas à promoção dos direitos das crianças, respeitando os valores africanos positivos.
POR QUE VOCÊ ACREDITA QUE O TRABALHO DA GFC É IMPORTANTE?
O trabalho da GFC é importante porque realmente capacita pequenas organizações comunitárias a serem verdadeiros agentes de mudança em suas comunidades.
A GFC não substitui organizações comunitárias, mas entende que desenvolver a capacidade e investir em estruturas locais permitirá que crianças ao redor do mundo desfrutem melhor de seus direitos.
#FunFacts Sobre Ramanou
QUAL ERA SEU BRINQUEDO FAVORITO QUANDO VOCÊ CRESCIA?
Quando criança, não tive a sorte de ter dons como algumas crianças privilegiadas. Não me lembro de ter tido um presente ou um brinquedo favorito quando criança. No entanto, ainda me lembro daqueles brinquedos improvisados que eu costumava construir com objetos reciclados e que eu usava como brinquedos. Por exemplo, sandálias gastas que eu modificava para fazer carros, ou pneus de carros velhos com os quais eu brincava como todas as crianças dos bairros da minha infância.
O QUE VOCÊ QUERIA SER QUANDO CRESCESSE?
Desde a adolescência, sempre quis ser juiz ou magistrado. Esse desejo surgiu naturalmente diante da injustiça que sofri com minha família nos diferentes bairros onde morei com minha mãe, minhas irmãs e meu irmãozinho. Quando criança, fui discriminado e ridicularizado por causa do meu nome estrangeiro na comunidade onde morava, até na escola.
Eu queria ser capaz de defender minha mãe e pessoas que enfrentam discriminação e estão em circunstâncias vulneráveis. É por isso que me matriculei na faculdade de direito e queria obter um mestrado.
O QUE VOCÊ FAZ PARA SE DIVERTIR?
Para me divertir, adoro ouvir música e cantar. Também gosto de praticar esportes e acompanhar e promover atividades culturais. Acima de tudo, adoro estar com minha família, fazer descobertas e ter pessoas ao meu redor.
VOCÊ TEM ALGUM ANIMAL DE ESTIMAÇÃO?
Sim, tenho um cão de estimação chamado Nounousse. Ele guarda minha família e impede que ladrões tenham acesso à casa porque há insegurança no meu bairro.
SE VOCÊ PUDESSE TER QUALQUER SUPERPODER, QUAL SERIA?
Se eu tivesse um superpoder, adoraria voar e resgatar todas as pessoas em perigo.